domingo, 29 de agosto de 2010

Até as piores feridas se fecham

Deixam cicatrizes, é verdade. Algumas mais profundas, outras menos. O fato é que, depois de meses de sofrimento, choro e desespero, pensei que não fosse conseguir superar a dor do Gabi ter ido embora. Mas superei. Não que tenha esquecido, mas consigo aceitar melhor. Consigo falar sem chorar, consigo entender que lutei, embora percebesse que as coisas estavam indo para esse caminho desde o começo. Quase como se eu soubesse que um dia isso iria acontecer. E a ferida aberta e exposta vai, aos poucos, ficando menos evidente, menos dolorida. Porque assim é a vida: enquanto estamos no jogo, não podemos desistir dele.

Assim, sei que virão algumas fases de dor e desespero de novo. Mas agora entendo que posso, sim, enxugar as lágrimas, respirar fundo e me levantar toda manhã porque, sim, existe um sentido em tudo isso.

Existe.

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