domingo, 8 de agosto de 2010

... Y aunque los sueños se me rompan en pedazos, resistiré

Então, um dia tinha de acontecer. As coisas do Gabi estavam aqui em casa, paradas, perdendo-se sem uso. Roupas, brinquedos, coisas que eram dele, não minhas. Eu, num misto de egoísmo e vontade de fingir que a situação era só passageira, fui deixando de olhar para aquelas coisas, mesmo diante dos meus olhos. Até perceber que era uma retaliação ridícula ao meu próprio filho.

Domingo passado, reuni minhas forças e separei o que ele ainda poderia usar e o que deveria ser doado. Não foi fácil: parei e recomecei umas três vezes, desabei no choro e liguei para o ex para dizer que ele tinha acabado com a minha vida e que eu só queria morrer. Ele então disse as coisas absurdas que costuma dizer nesses momentos, mas disse que estava me esperando lá. Consegui passar por cima de tudo e levar as coisas do Gabi para o Gabi.

Chegando lá, vi que a moça muda é a nova doméstica da casa, lavando, passando e cozinhando para ele. O Gabi ficou feliz com as coisinhas dele, me chamou para jogar videogame e passamos boa parte da tarde juntos, como costumávamos fazer sempre. Depois, a dor de cabeça me impediu de ficar mais (sempre que choro muito, tenho dor de cabeça, um inferno). Mas fui embora mais leve, como se todo aquele processo tivesse doído apenas até o momento em que cheguei àquela casa. E, para falar a verdade, no fim, é tudo por ele: até mesmo essa situação, que, por um lado, é humilhante, estou aceitando por ele. Porque, afinal, sou sempre eu que tenho de recolher meus pedacinhos para seguir em frente.

Mas aí não acabou: no dia seguinte, o ex me liga à noite, dizendo que o Gabi havia acordado chorando e dizendo que estava com saudade de mim. Como já era tarde, prometi passar lá no dia seguinte. Fui, fiquei um pouco com ele e, de certa forma, senti que, um dia, talvez, consiga reverter tudo isso. O desespero deu lugar a alguma esperança, combinada com o fato de que o ex está realmente em outra (a garota está morando com ele. Quem é o pai (ou mãe) que deixa uma filha ir morar com um louco alguém que mal conhece, não sei. Mas, às vezes, o que menos esperamos acontece, e nem sempre é uma coisa ruim.

2 comentários:

Anônimo disse...

Escreve um livro, manda pro Gugu, chama a Márcia Goldsmith! Você precisa do seu filho de volta.

Renata disse...

É, Anônimo, eu deveria...