domingo, 3 de outubro de 2010

Vida, devolva minhas fantasias

Sinal de que a vida está uma merda: perceber que KLB te entenderia.

Então, as últimas sobre Gabi-ex-mudinha são que criei um monstro: ele trata a "madrasta" como empregada, o que, na minha humilde opinião, é um sinal de que ele não me apagou da memória como mãe, o que em parte me deixou satisfeita. Agora ela voltou a trabalhar (estava em licença antes) e só passa os fins de semana com eles. O Gabi está "namorando" (uma menina que ele nem mesmo soube dizer o nome - homens!). O ex não mudou (nem eu esperava que mudasse, só pra constar). Da última vez que estive lá, surtei com uma imbecilidade que ele disse, chorei litros, vi o Gabi ouvindo a conversa escondido e culminou com a mudinha me trazendo água com açúcar. É, gente, ela deve ver novela pra caramba. No dia seguinte, acordei parecendo um monstro de tão inchada e com o estômago doendo muito. Podia ser pior: por um momento, pensei que pudesse estar infartando.

A questão é: se já suportei tanta coisa até aqui, por que um simples comentário sem noção dele me deixou tão mal? Explico.

Tudo começou na sexta-feira passada: sabia que seria aniversário do Da Praia no sábado, mas não comentei nada para ver se ele falava. Nem-uma-palavra. Tá, não somos namorados, não me imaginava entre os convidados do seu churrasco de aniversário, mas fui inábil para dizer "Oi, lembrei do seu aniversário, parabéns." Como alguém assim pode sequer pleitear um lugar na cabeça e no coração de outra pessoa? Fica difícil, bem difícil. Para piorar, sábado (o grande dia) tive um daqueles eventos em que a gente vai por MUITA consideração a quem convidou, mas tem vontade de sair correndo logo que chega e se sente aliviado quando acaba: o chá de bebê de uma amiga. Acabou que encontrei umas pessoas que não via há um tempo, e os papos balada/beber até cair (das mulheres) e motos/pôquer (dos homens) me deram sono e aquela sensação desagradável de despertencimento, sabe? De que eu, ao contrário delas, nunca levarei um namorado para jogar pôquer com o marido da minha amiga. De que sempre irei sozinha a esses eventos e sempre rezarei para que acabem logo para que me sinta aliviada por não constranger aos outros e a mim mesma com meu deslocamento.

E tudo isso me fez pensar, mais uma vez, nessa sensação de estar desajustada no mundo. De não pertencer a nada. De não ser "normal". Sensação essa que me persegue desde que me entendo por gente. Em alguns momentos, desencano de pensar nisso, mas muitas vezes me pego pensando: por que o convencional é tão difícil? Por que faço de um simples cumprimento por um aniversário a tarefa mais hercúlea do mundo? Por que não sou igual a todo mundo? De que adianta perceber que aquela pessoa que todo mundo acha legal no fundo é uma escrota se, na real, é aquela pessoa que vão achar legal sempre? Isso me levou à seguinte conclusão: não adianta tentar fazer parte de um mundo ao qual eu não pertenço de verdade. A grande verdade é que me sinto ridícula quando quero fazer parte desse mundo sem saber como. Não adianta cumprimentar o Da Praia: para ele, continuarei sendo a invasora, o corpo estranho, a desconhecida. Ou seja, nada.

Já estava nessa vibe animadona, quando tive de ouvir o ex falando merda em cima de merda (não vou escrever o que ele disse, porque me dói ter de lembrar), e foi aí que surtei. Surtei porque queria justiça, surtei porque a vida me nega as mais simples das coisas. Desde a Barbie quando era criança, passando pelo meu filho e chegando ao homem que eu quero. A vida me nega tudo. Menos a consciência de ter tudo negado e o vazio por ter essa realidade jogada na minha cara todos os dias, do momento em que me levanto até a hora de dormir.

E eu, bem quietinha, trato de sofrer em silêncio, sem reclamar, porque as pessoas normais não suportam quem reclama.

2 comentários:

gustavo disse...

só pra dizer que tentei escrever um comentário a respeito, mas acabei exagerando demais, meio que querendo intervir. Enfim, entendo sua situação (ao menos o chá de bebê eu entendi perfeitamente) e não acho justo o que anda acontecendo, nem acho que você seja louca ou algo do tipo. Afinal, ser diferente não é tão ruim se você acha uma forma de não deixar a opinião das pessoas (inclusive a minha) normais interferir nas suas decisões.

melhores dias (:

Renata disse...

Gustavo,

brigada. Sou dramática às vezes (a maior parte do tempo, assumo), mas me aceito assim (na maior parte do tempo).